MUDANÇA…
Paz amados. Como já mencionei em
um dos meus e-mails anteriores, estamos de mudança de campo devido a diversos
fatores. Não foi a nossa escolha, mas estamos meio que sendo forçados a isso.
Confesso aos irmãos que tem sido um processo doloroso ter que deixar amigos,
irmãos, colegas de ministério, etc. No entanto, estamos entendendo que é o
tempo de Deus para nós. Nossa mudança está prevista para final de Junho, começo
de Julho. Ore por nós, pela mudança, por recursos e por direcionamento do Pai
em todas as coisas.
VISITA CAMPO DE REFUGIADOS…
Deus nos concedeu a graça de
ficarmos em um dos maiores campos de refugiados sírios do Oriente Médio por 10
dias. Conseguimos uma permissão especial, pois é um campo controlado pelo
exército. As experiências foram as mais diversas, sem contar o sacrifício de
dormir no chão em uma tenda, numa temperatura de 4 graus. Pensei comigo, se
está desconfortável para mim, imagine para milhares de crianças que vivem aqui.
Visitando as pessoas, ouvindo suas histórias de vida, partilhando de suas
dores, não tem conter as lágrimas por tanto sofrimento. As necessidades são
imensas e inimagináveis. Auxiliamos algumas famílias, brincamos com as
crianças, presenteamos alguns pequenos e o principal, oramos por cada uma
dessas pessoas e com elas. Famílias inteiras que perderam todo o seu passado e
vivem sem nenhuma esperança do futuro. Só Deus pode curar essas feridas tão
profundas. Deixei o campo com um sentimento de não ter feito nada. Na
realidade, fizemos pouco diante das necessidades, mas pela graça de Deus
conseguimos amenizar o sofrimento de algumas famílias. Na nossa despedida,
parecíamos que nos conhecíamos há anos. Muitos abraços, muito choro, muita dor
e um pedido especial, “por favor, volte novamente”. Na saída, passamos pela
revista do exército novamente que durou mais de meia hora. Nos sentimos mal com
toda essa segurança, porque pensando nessas famílias, eles estão vivendo em uma
prisão. Minha oração pelos refugiados nunca mais será a mesma. Agora consigo
sentir a dor desse povo de muito perto. Amados continue orando por uma solução
divina por esse conflito que já se arrasta por muitos anos.
TRISTE REALIDADE…
Dentro do campo de refugiados
descobrimos uma realidade muito triste. Árabes de países ricos, principalmente
dos países do Golfo, têm sediado as famílias com dinheiro, para comprar as
filhas adolescentes para casamento. Prometem as famílias um futuro melhor para
todos eles. Diante da fragilidade que essas famílias estão vivendo, algumas têm
aceitado e eles levam suas filhas embora. No entanto, depois de 2 meses trazem
de volta e correm a busca de novas vítimas. Esse fato tem causado feridas
maiores ainda, nos corações dessas pessoas que já estão sofrendo tanto. Pela
graça de Deus, nos dias que estivemos com eles, conseguimos convencer duas
famílias a não entregarem suas filhas, pois as promessas eram mentirosas. O
pior de tudo isso, é que os árabes usam o nome da religião para conseguir com
mais facilidade as adolescentes. Amados meu coração dói muito a cada momento
que penso nesses ocorridos. Por favor, ore para que Deus proteja essas famílias
desse mal.
APENAS 2%…
Nas muitas visitas que fizemos
aos refugiados, sempre tínhamos um guia árabe conosco, por motivo de segurança.
Estrangeiros são sempre alvos de ataques terroristas. Deus nos concedeu um guia
egípcio, um evangelista muito comprometido com Deus. Ele deixou tudo em seu
país e vive no meio dos refugiados, levando a mensagem do Evangelho, bem como
ajudando as famílias naquilo que ele consegue. Muito conhecido por todos,
conquistou um alto respeito da comunidade. Visitando com esse evangelista, ele
sempre nos informava as condições de cada tenda visitada e o que poderíamos
falar ou não. Numa tarde, quando saímos para mais uma visita, o evangelista me
disse, “Osni nessa família precisamos ter muito cuidado do que falar, pois são
todos muçulmanos radicais". Bom, eu pensei comigo vou ficar quieto e ver o
que Deus vai fazer. Depois de meia hora já com a família tomando chá e
conversando coisas triviais, o pai dessa família olhou para nós e disse:
“Quando vocês vão falar de Jesus
para nós?”
Eu fiquei surpreso com a pergunta
dele. Ele ainda prosseguiu: “Vocês não são cristãos, que eu saiba os cristãos
sempre falam de Jesus para as pessoas”. Eu olhei para o evangelista, sem muito
saber o que falar. O evangelista abriu as Escrituras e começamos nós dois a
compartilhar a respeito de Jesus e do amor Dele por nós. Quando mais compartilhamos, mais eles se aproximavam de nós para ouvir cada palavra. A mãe
da casa começou a chorar, quando falávamos de como eles eram especiais para
Deus. Fizemos um apelo e toda aquela família recebeu a Jesus em seu coração.
Ajoelhamos todos e oramos por eles e com eles. Quando saímos para uma próxima
visita, o evangelista olhou para mim e disse: “Osni, Deus faz 98% do nosso
trabalho e Ele deixa apenas 2% para nós fazermos, mas mesmo assim muitas vezes
negligenciamos o pouco que Ele espera de nós”. Escrevi em minha agenda essa
frase, como um lembrete dos 2% que Deus quer que eu faça. Nunca vou esquecer
essa experiência.
UM ABRAÇO…
Nas andanças no campo de
refugiados, fazíamos de tudo para nos proteger do frio e do vento contínuo. A
temperatura baixava cada dia mais. As pessoas faziam fogueiras para se
protegerem do frio. Crianças descalças, com pouca roupa, tinha a pele vermelha
pelo frio cortante. Percebi que todos os dias, quando caminhávamos entre as
tendas, um menino de uns 6 anos nos acompanhava. Por aonde íamos, estava lá
esse menino atrás de nós. Tentava não ficar tão próximo de nós, para não chamar
tanto a atenção, mas sempre estava por perto. Os dias foram se passando e ele
foi se aproximando, até que começou a conversar conosco.
Eu então perguntei a ele, porque
você está sempre atrás de nós. Você quer alguma coisa, tem algo que podemos
ajudar? Ele me respondeu, não tio eu não quero ajuda não, eu só quero um
abraço, porque o abraço é gostoso e esquenta a gente. Eu disse então vem me
abraçar. Ele ainda meio desconfiado, disse pode mesmo? Meio tímido me aproximou
e me abraçou apertado. Eu comecei a chorar com aquele abraço apertado. Ele me
disse, o tio porque você está chorando, não gostou do meu abraço. Eu falei para
ele, gostei demais por isso estou chorando. Abracei e abracei de novo e de
novo, aquele garoto. Ele queria apenas um abraço e eu também. Deus é bom!!
PROJETO ABRAÃO…
Ore pela Coreia do Norte neste mês de Março. Que Deus
continue movendo na Coreia, por causa das nossas intercessões.
ORANDO PELOS POVOS NÃO ALCANÇADOS…
POVO: Os Chatinos – México.
POPULAÇÃO: 58.300 pessoas. MODO DE VIVER: Possuem 7 dialetos diferentes e,
entre estes, somente 5 que possuem a tradução do Novo Testamento. Professam o
catolicismo, misturado com crenças mágicas. Cada povo tem um padroeiro cuja
festa é a mais importante. OREMOS: Pela unidade e maturidade espiritual entre
os cristãos chatinos, pela visão para evangelizar os demais grupos
linguísticos.
O.F
“Coragem para ser
diferente, compromisso para fazer diferença”.
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